Passamos alguns dias pensando em como descrever aqui neste blog as nossas expectativas sobre o estilo de vida dos velejadores de cruzeiro que tanto almejamos.João Sombra, em seu livro Conversando com o Guardian, já o fez: "É o desbravar de novos conhecimentos, de uma nova vida, na qual não há espaço para as mediocridades advindas do viver nos tumultuados centros urbanos. É o viver na expressão mais ampla da palavra, saciando nossa fome de conhecimento e cultura. É viver sem medo, traumas e tensões provocadas pela mente humana. Viver como aliados da natureza e suas incriveis nuanças."
Publicamos no blog do Refrega alguns detalhes da reforma que fizemos no início deste mês (parte 1). Clique na foto à direita desta página, se quiser acompanhar. De um modo geral, foi um trabalho de qualidade.
Mas também tivemos outros profissionais envolvidos, além da pintura. Por eles é que a grande lição que aprendemos ("de novo") - desta vez - foi a seguinte: procure aprender sobre o quê e como devem ser feito os serviços num barco. De agora em diante iremos fazer, e já fazemos muito, a maioria dos serviços no Refrega. Se não conseguirmos, contratamos, pois já que muitas vezes temos de refazer ou reclamar de algo, contratamos pra consertar ou refazer o que não conseguimos.
A prestação de serviço no mundo náutico é complicada. Tá certo que é complicada em praticamente todos os setores. Mas devido a diversos fatores específicos, relacionados aos poucos profissionais competentes disponíveis, a falta de grana da maioria dos proprietários (que choram muito e adoram improvisar), a pouca oferta de peças com preços razoáveis você tem sempre dor de cabeça. Mesmo não pagando pouco!
O que pega mesmo é a falta de profissionalismo e responsabilidade de muitos deles - muitos creio que é exagero. Principalmente aqueles que tem de ajustar algumas coisas, refazer uma peça e outros serviços especializados? Pronto, são estes que geralmente vão te deixar na mão devido aos atrasos, serviços sujo, não fazem certo, etc!
Mas vamos em frente que o importante é saber que crescemos e aprendemos com tudo nessa vida!
Duas Semanas: Esse foi tempo que Investimos na reforma de nosso barquinho.
Janjão e Ivany: muitos mimos.
Principalmente a Glaucia que ficou estas duas semana em Paraty, acolhida no Veleiro Sweet do Janjão e Ivany, para acompanhar de perto os trabalhos feitos pela equipe do Benoit (Ship Chandler) na Marina Porto Imperial.
Sua rotina diária: acordava cedo, assim como seu anfitrião que é chegado a madrugar e comprar os pãezinhos pro café da manhã logo que saem do forno. Pegava a bike e pedalava até a Imperial. Vinha para almoçar (claro que no Sweet) e voltava e ficava até umas 17h. A estes amigos, Janjão e Ivany, que nos acompanham e auxiliam desde o início, obrigado é pouco.
Ai você pode perguntar: tô pagandu, pra que acompanhar? Apesar da contratação do serviço, e os caras terem experiência no que fazem, no nosso caso e em muitos outros também, sempre que você tira o barco da água surgem muitas surpresas.
Saiu da água assim.............
Quando você pensa que é só pintar o fundo com a venenosa (tinta que evita a proliferação de cracas no casco) e trocar uns anodos (metal que serve pra enferrujar no lugar do barco), com o barco no seco você pode descobrir bolhas nos casco (a tal da osmose), eixo da hélice empenado, folga nas buchas do leme ou do eixo, ferrugem, etc. Enfim, é uma surpresa pra você e para o cara que vai fazer o serviço, pois geralmente vai dar muito mais trabalho e mais custo do que se imaginava. Mas é assim mesmo. Você pode fazer o básico, dar uma "gambiarra" aqui e ali. Mas pense que seu barco é seu porto seguro e o conforto e segurança nos passeios, e até sua vida em determinados tipos de viagens, depende do bom funcionamento de seu barco e por isso as manutenções, substituições e melhorias são a única opção.
... passou por várias "intervenções"....
A grana? ..... bom isso geralmente chamamos de Despesa! Sim, dependendo dos casos, são grandes. Se você tem cuidados preventivos e faz revisões e pequenos consertos logo que surge a necessidade, isso fará com que você não tenha grandes desembolsos. Esta nossa empreitada doeu no bolso. Quando compramos o Refrega na Bahia, confessamos que não fizemos algo importante:saber como estava o fundo do barco. Quando ele saiu da água para embarcar no caminhão, eu já estava em São Paulo. Lá em Salvador pedi para que fizessem a pintura venenosa. Foi quando me disseram que o fundo estava razoável e que poderia ser repintado. Passado um ano, tiramos agora da água e vimos que além de não ter mais venenosa em alguns pontos, a chapa de aço também estava exposta sem nenhuma proteção de primer ou outro tipo de tinta. Por isso tivemos que remover tudo para refazer desde o início, poie é como eu disse, não adianta economizar num lado se o custo no futuro pode vir associado a um acidente ou coisa pior.
... pra ficar até que bonitão!!!
Mas é por isso tudo que você tem de pensar que é investimento. Se não é no barco, é investimento no seu prazer, na sua segurança e tranquilidade. Pra nós, é também investimento pro nosso futuro.
Detalharei a reforma logo logo no blog do Refrega.
Vista da praia da Ilha do Cedro (do Bar do Nelson). Até que dá pra perder umas horinhas ai!!!!!
Voltamos. E para o blog também. As férias acabaram. Foram 10 dias de ventos, clima e ancoragens até que bem variados.
No Primeiro Dia: só sorrisos!!!!
Partimos de Paraty em direção a Ilha Grande, sem a Aline que ficou estudando para as recuperações escolares mas com a Cris Berringer (Tia da Glau) nos dando o prazer de sua companhia. Mas as previsões, e o nosso amigo Janjão (Veleiro Sweet)que encontramos no caminho voltado da Ilha do Cedro, indicavam ventos de Sul/Sudoeste e ondas de 3,5 a 4 metros de Sudoeste. Decidimos então fazer um pernoite na Ilha da Cotia, pois havia previsão de melhora para o dia seguinte. Pela primeira vez fizemos a travessia pelo caminho mais curto entre Paraty e Ilha Grande que é seguindo praticamente numa reta até a Enseada do Sitío Forte. 5 horas com motor, ondas de 2 metros entrando pelo nosso boreste (lado esquerdo do barco) e pouco vento. Foi bem sussegado.
Todo mundo ajuda na "casinha".
Enseada do Sítio Forte, Araçatiba, Tarituba, Ilha do Cedro e Jurumirim foram nossas ancoragens. O Sol só veio mesmo nos útimos 4 dias.
É sempre um aprendizado estar a bordo. Os afazeres, os pensamentos, as vontades, ideias e decisões tem sempre de serem compartilhadas. Outra coisa que colocamos em prática foi o que andamos lendo sobre regulagem de vela. Alguns artigos e dicas "googadas" na Net e de um bom livro que nosso amigo Pablo (veleiro Sudestada), vizinho de vaga no pier, nos emprestou.
Segunda-feira.... dessa eu gosto!
Nestes bares não tem flanelinha pedindo pra tomar conta!
Nos encontramos com velejadores conhecidos de Paraty. Conheci a Telma a dona do Bar da Telma na Tapera. Recomendo experimentar o Leite da Macaca (tem gosto de papinha, mas com vodka.......rsrs).
A casa: muito charmosa e aconchegante.
O ponto alto mesmo da viagem foi conhecermos a amiga da Cris que mora numa bela casa de frente para o mar. Em cima de seus atuais 70 anos, mora sozinha, mergulha, Comanda sua pequena traineira sempre que precisa ir até Angra ou passear pelas redondezas. Inclusive foi com esta traineira que trouxe todo o material para a construção de sua casa..
Glaucia e Cris indo buscar coisas no Refrega
O nosso sonho de morar no veleiro e conhecer o mundo ficou muito mais forte e mais possível, pois diante desta nossa nova amiga fica obvio que querer é poder. Em frente a casa tem poita (boia com um peso no fundo onde se amarra a embarcação). Isso é um tremendo conforto, pois ficar jogando "ferro"(âncora) toda hora, além de consumir bateria para levantar a âncora, sempre fica aquele receio do barco "garrar" (a âncora soltar do fundo), caso você ainda não tenha prática nesta manobra, e você ter de sair correndo pra segurar e evitar um acidente.
No retorno para Paraty, ainda pudemos apreciar a pesca de um bando de golfinhos e aves marinhas dividindo um pobre cardume.
Chegamos mais perto deles , mas não tem foto!
Agora é focar no trabalho e na pequena manutenção anual do Refrega.
Esse tipo de imagem fica "tatuado" na retina e na memória!
Pois é.... Este tipo de bagunça no cockpit do nosso veleirinho só pode significar uma coisa: FÉRIAS!!!
Sábado vou buscar a Glaucia em Bracuhy, quando acaba o Costa Verde. A partir daí, e depois de tudo guardado no devido lugar, já esteremos preparados para zarpar e ficar velejando e perambulando pela região de Paraty e Ilha Grande, pelos próximos 10 dias. Em 10 dias não dá pra ir muito longe, a não ser que não conte com o tempo a ser gasto com a volta.Mas o trabalho ainda me espera.
Num veleiro não se desenvolve mais que 5 nós de média, claro que tem uns mais turbinados. Por garantia esta é a velocidade que temos de utilizar para calcularmos o tempo para as distâncias que pretendemos alcançar em um dia, considerando a hora que queremos chegar com claridade e segurança e também em relação a qualquer alteração nas condições climáticas. A meteorologia está prevendo uma frente fria de sábado até terça, no máximo.Depois disso é Sol sem chuva e aquele friozinho à noite. Contamos com isso einh São Padro!
Como podem ver, nós costumamos levar tudo o que podemos precisar em termos de comida e bebida. Claro que existem muitos lugares bons pra se comer nas praias e ilhas e não perdemos a oportunidade. Mas escolhemos a dedo, pois os preços nos bons restaurantes e bares não são tão populares. O Coqueiro Verde, no Saco do Céu, é um deles. A casquinha de sirí só não é mlhor que a do Lelê, ambos na Ilha Grande.
Era o que eu gostaria de dizer e fazer esta semana. Mas o resultado da última Mega Sena, com o prêmio de 75 milhas, não coincidiu com a minha aposta. Na verdade bastavam "míseros" 3 milhões pra cair no mundo. Logo, vamos continuar na luta, para realização de nossos sonhos, pelo caminho do trabalho mesmo ..... ai ai!
A noite sempre tem um bom papo.
Então, após 4 dias de "viagem", os cruzeiristas do Costa Verde encontram-se atualmente em Mangaratiba no Canal do Itacuruça. O clima anda muito frio pela região, alternando dias de Sol, nublado e muito gelada a noite. Mas nada que uma fogueirinha com lenha, e outra "fogueirinha" com biritas, para esquentar o corpo e a alma. A galera tá se divertindo.
O sorriso diz tudo.
A Glaucia está muito feliz a bordo do Toriba. O casal José Ricardo e Guará são encantadores. Fora o talento artístico musical do Comandante com seu Sax. Imagina boa música, céu estrelado, vinhozinho,.... caracas!
A vida simples de velejador pode ser traduzida assim:
No barco dele nem precisa ter cd!
1- você tem seu barco que é sua casinha, seu meio de transporte e seu equipamento de segurança que te permite viver no Mar, contando ainda com "acessórios" que vão do conforto básico (água doce, banheiro, cozinha, luz elétrica) até o luxo para os padrões de um barco (ar condicionado, boiler, dessalinizador, eletrodomesticos,etc). O custo diário é pequeno, principalmente se comparado com viver numa cidade como São Paulo.
2 - você tem uma boa dose de aprendizado para que seu cérebro não envelheça: em geografia, navegação, meteorologia, cultura da região visitada, mecânica, elétrica, etc. e muita atividade física. (dá pra dar uma nadadinha todo dia antes mesmo de tirar o pijama!)
Mas você terá o melhor. 3- Relações Humanas. Este item é o principal, pois mesmo que resolva sair pelo mundo sozinho, você é obrigado a no mínimo estar em contato consigo nas mais diversas situações. Aprenderá a conhecer seus limites, medos, valores e necessidades. Caso saia em família, o espaço reduzido, as obrigações para com o barco e as atividades ao ar livre são um santo ambiente para aproximar as pessoas. Os objetivos e interesses geralmente se alinham. Esqueça a televisão e as redes virtuais. Não tem mercadinho nem água doce em todo lugar. Comida tem de ser planejada, pescada, estocada e conservada.
Ou seja, o termo "vida simples", para mim, é justamente pelo fato de suas "preocupações" e consumos voltarem-se para suprir, simplóriamente falando, as nescessidades básicas classificadas na controversa Pirâmide de Maslow, por exemplo. Comida, proteção, amor, estima e auto realização no nível necessário, pois o Extraordinário é Demais.
Viver a bordo é administrar também os espaços de sua mente e sua energia. Como vc tem muito o que pensar para se manter boiando, comendo, bebendo e vestindo (apesar que umas duas bermudas e 2 camisetas bastam para 6 meses) as outras "necessidades" da tradicional vida urbana inexistem. Ipod, Hyundai, Victor Hugo, Fazano, boate, Cinemark (com aquela pipoca incrivelmente cara), IPTU, friaca, poluição, vaga na garagem, novela, vizinho de cima, gravata, shopping center, relógio, Casas Bahia, sapato, terno, meia social, reunião de condominio, propaganda, trânsito, buracos, metrô, estacionamento, café expresso e muitas outras são coisas que pretendo riscar do meu vocabulário!
Pois é, o cruzeiro Costa Verde 2011 começou neste domingo 26. Mesmo sem mim. ....rsrs. Já fiz outros "post's" nesta categoria.
Neste final de semana de feriadão, fomos para Paraty curtir a quinta e sexta, com direito a velejada e churrasquinho.
No sábado voltamos para a Marina e seguimos de carro até Bracuhy (Angra), onde a Glaucia iria embarcar no Toriba para o seu primeiro cruzeiro. De lá, eu e a Aline voltamos para a vida e obrigações urbanas de Sanpa. Confesso que para mim foi uma avalanche de sentimentos de inveja, saudade, ciúme, raiva e um monte de outros por não poder aproveitar esta oportunidade. É um cruzeiro pequeno que dura apenas 10 dias. Mas é uma boa chance para os novatos como nós. O que mais sinto é no lance de velejar em flotilha.
É muito legal velejar, mas toda vez que temos a chance de velejar com outros barcos é beeeeem mais legal. Como não temos experiência, é gostoso ficar analisando nossa performance em relação aos outros barcos, a orça (rumo em relação ao vento) que seguem, a regulagem das velas, etc.
Saíram de Bracuhy rumo ao Saco do Céu na Ilha Grande. Pelas fotos enviadas pela Glau, dá pra ver que o dia claro e lindo foi um verdadeiro presente. Pra quem não sabe, chama-se Saco do Céu por ser tão abrigado que a noite estrelada é refletida na água de tão parada que é. Mas não foi o caso da noite deles. Soprou muito vento (incríveis 45 nós = mais ou menos 80km/h) fazendo com que os barcos balançassem muito, exigindo o estado de alerta dos Comandantes durante a noite toda. O Toriba não "GARROU"(desprender a âncora do fundo e ser arrastado), mas alguns colegas sim.
É isso, por enquanto.
Só posso desejar uma excelente velejada e tudo de bom pra todos, principalmente para minha esposinha "Marinheira de Primeira Viagem"!.
O meu "manjar" de domingo:
bolinho de laranja com café.
Uma beleza o Outono. O café da manhã de domingo, por mais simples que seja, é feito num clima delicioso. O Solzinho de outorno começa a esquentar o clima frio da madrugada. Muita luz, sons da natureza e uma paz que pedimos que não acabe.
Conforme havia previsto, por volta das 14h desenrolamos as velas e aproveitamos o vento que soprou na tarde de domingo.
A catraca que arrumamos na semana passada voltou a funcionar perfeitamente. Os mordedores que mandamos fazer em Naylon ficaram perfeitos. Antes, quando a mestra era cassada pelo boreste (lado direito do barco) tinha de ser praticamente na mão. Uma velejada confortável.
Novos amigos.
Mas o bom mesmo foi que a Glaucia arrumou uma vaga de tripulante no Veleiro Toriba, que pertence ao casal José Ricardo e Guará, para participar do Cruzeiro Costa Verde 2011, cuja largada será dia 26/06 em Bracuhy (Angra). Não podemos ir com o Refrega, pois eu só sairei em férias dia 02/07, conforme dissemos em outro post. Então ela irá aproveitar e conhecer como é o esquema de um Cruzeiro em flotilha e a rotina em outros barcos (como velejam, atracam, ancoram, vivem a bordo etc).
Será uma boa oportunidade para adquirir experiência.
Este final de semana teremos a chance de participar de vários eventos de Jazz e Blues em Paraty.
Mas não vamos aproveitar esta chance ...rsrs. ... vamos ficar é no Refrega e aproveitar o clima bom com ventos moderados para tirar a capa das velas. Faz tempo que não velejamos, devido o problema na catraca que resolvemos na semana passada (contamos no blog do Veleiro Refrega)
Aos amigos, fica a dica do 3º Bourbon Festival em Paraty neste final de semana.
Oba! Dia dos Namorados. Mas neste final de semana foi de trabalho!!! Pois é, assim vão dizer que ter veleiro é uma ralação só e ainda por cima no final de semana dos namorados.
Praia "X": ancoram velejadores de passagem pela região.
Acontece que as vésperas de umas férias, sempre temos de melhorar, trocar ou só arrumar as coisas para que não tenhamos surpresas no passeio. Troca de óleo, troca do isolante termoacústico do motor e conserto da catraca foram as tarefas. Se quiser ver detalhes visite o blog do Veleiro Refrega. e confira os detalhes do trampo. Mas rolou trabalho mesmo só no sábado. No domingo, rolou pela manhã uma outra "obrigação". Paramos de levar água mineral para o barco.
Todo mundo merece!
Descobrimos que na Praia "X", aquela que tem uma casinha na praia logo ao lado da Marina do Engenho (Amir Klink) e que todos os amigos que passeiam conosco tiram várias fotos. Nela tem uma bica com uma das melhores águas potáveis da região. Assim, além de aproveitarmos esta praia, carregamos o barco com os 6 galões de 6 litros.
A propósito, passamos a virada deste ano nela com direito a uma fogueira e visão privilegiada e exclusiva da queima de fogos em Paraty.
Depois de tudo que fizemos, o bom mesmo foi o excelente Dia dos Namorados que passamos, com direito até a troca de presentinhos... rsrs
Semana passada não deu Praia. A causa nobre foi a comemoração, em Tatuí-SP, do aniversário da tripulante mais Ilustre do Refrega.: A Filha Aline. Companheira sempre que possível neste nosso primeiro ano "embarcado", ela nunca enjoou, coxila em qualquer cantinho (até com o motor ligado) e não esquece dos estudos mesmo nos finais de semana que estamos no Mar.
Tenho muita sorte em ter esposa e filha que participam e curtem a vela. E mais, minha filha é o orgulho da minha vida. Obrigado por existir, assim: bem juntinho!
FINALMENTE!!! Esta semana pegamos o documento do barco transferido para o nosso nome. A Marinha é quem efetua os registros e as transferência.
A Marinha .
A propósito, documento de barco é igual ao de carro. Tem seguro obrigatório e número de registro que equivale a placa do carro. Outro dado interessante é o número de passageiros e tripulantes que vem estipulado no documento. No caso do Refrega, passamos de 1 + 5 para 1+11. Ou seja, um tripilante mais 11 passageiros. Claro que isso não se aplica ao pernoite. Por uma questão prática, a maioria dos Comandantes colocavam na documentação em média 6 pessoas. Isso por que, na antiga lei, dependendo da categoria do barco (Oceânico, Mar Aberto ou Costeiro) você tinha de ter a bordo os equipamentos de segurança de acordo com a classificação do barco e o número de passagerios e tripulantes previstos no documento. Então, se seu barco fosse Oceânico (que faz travessia oceância) e pudesse levar 10 pessoas, você tinha de ter a quantidade de sinalizadores, fogos, balsa de sobrevivência (que não é o mesmo que o bote de apoio) e 10 coletes salva-vidas ..... meso que estivesse navegando num baia. Nem precisamos dizer a grana que custa tais equipamentos. Fora o detalhe: tinha de ter o nome do barco escrito nos coletes e boias. Isso para evitar que numa fiscalização você ficasse pegando colete e boias emprestados dos colegas do lado, sendo obrigado a comprar os seus, mesmo que nunca colocasse 6 pessoas a bordo, por exemplo. Atualmente a fiscalização da Marinha irá te pedir os equipamentos de segurança necessários de acordo com a região onde estiver navegando e a quantidade de coletes para o número de pessoas a bordo. Ficou justo.
Por isso que aumentei o número de passageiros. Hoje temos 9 coletes e se for preciso, basta pedir mais alguns emprestado.
Final de semana de tempo chuvoso e Mar ruim, viram? Ficar em São Paulo por causa disso, nem pensar. Além da estrada ficar livre (levamos 3h e 30m na volta de domingo), é excelente pra aproveitar e ficar no Pier pra Trabalhar. Tem quem não goste, mas é uma delícia de trabalho.
Que belo "escritório" não?
Com o kit básico dos víveres para sobrevivência definido e garantido, a Gláucia se dedicou a atualizar nossas listas de horas de navegação e dos itens que fizemos em melhorias e manutenções para atualizar o blog do Veleiro Refrega, e eu me dediquei a melhorar um dos grandes limitadores para se ter um passeio tranquilo e confortável num veleiro: a quantidade de água dentro dele. Opa ... vamos esclarecer: Estamos falando de água doce dentro dos tanques ou água salgada, desde que saia somente pela torneira da pia ou pelos chuveirinhos.
Um pouco de alongamento é bom.
O Refrega tem 4 tanques de água que totalizam aproximadamente 650 litros. É bastante viu. Num final de semana comum, quando pernoitamos entre 3 ou 4 pessoas, gastamos mais ou menos uns 200 litros. Isso sem fazer economia. Não era assim. Foi para as férias de Janeiro/11 que instalamos o 4º tanque de plástico flexível de 200 litros. Aumentamos pois na Ilha Grande tínhamos chance de abastecer somente no Saco do Céu e no Sítio Forte. Depois falo mais sobre as férias.
Instalei um "T" na saida do tanque
Naquela ocasião, além da instalação deste tanque, instalamos também uma torneira na pia com misturador. Num registro sai água doce e no outro água salgada que é coletada diretamente do Mar através de uma válvula no casco em baixo da pia. Isso gera uma economia tremenda de água doce, pois não fazemos idéia do quanto se gasta de água para lavar uma louça, por exemplo. Molho de macarrão é terrível. Então, para economizar a água doce, enxaguamos as louças e panelas com água salgada para tirar a primeira espuma do detergente (bio claro) e depois passamos água doce para tirar o sal.
Só que toda vez, ao final de nossos passeios, tínhamos de lavar esta outra bomba com água doce. Por uma questão de economia, não colocamos uma bomba especifica para água salgada. Logo, esta bomba teria uma vida útil reduzida se não "adoçássemos".
Uma bomba nova c/ entrada doce ou salgada.
Era na base do baldinho com água doce num cano extra. Para facilitar este esquema, e termos também a possibilidade de uma bomba de água doce reserva para a pia, colocamos um "Y" com dois registros, podendo agora essa mesma bomba, que utilizava água salgada, ser alternada para água doce também. Simples. É só remover uns forros, passar umas mangueiras aqui e ali, instalar uma bomba e pronto. Conforto e economia a bordo não tem preço. Principalmente quando é na base do "Faça Você Mesmo"!!!
Quem disse que fim de semana com chuva e ressaca no Mar não dá Praia!
Hobby é colecionar selo! No mínimo poderiam chamar de esporte, não acham? Apesar da maioria dos Comandantes, praticantes deste ESPORTE, serem meio gorduchos, inclusive este Pirata que vos escreve.
Mas vamos lá..... Quanto custa manter um veleiro?
Os custos para manutenção e guarda de um veleiro estão ligados ao tamanho e o uso que você fará dele.
Vai comprar um veleiro? quando fomos comprar o nosso, mandaram que respondessemos estas perguntas:
Quer deixar em poita(uma bóia presa a um peso no fundo do Mar) ou píer?
Se for deixar na poita, por ser mais barato, seu veleiro fica meio largado em frente a Marina. Quando você for utilizá-lo, terá de ir de bote até ele ou pedir para o Seu Marinheiro trazê-lo para o Pier de serviço para embarcar. Para abastecê-lo de água e energia, você terá de utilizar também o pier de serviço, pagando pelo uso destes recursos a parte. Mas muitas Marinas sequer permitem isso. Já uma vaga no Pier, mais caro, vc tem direito a água e energia elétrica, além do conforto do embarque. É muuuuito mais legal.
Velejar ao sabor do vento! É estimulante.
Vai fazer regata, só velejar durante o dia nos finais de semana ou vai pernoitar?
Esta escolha vai influenciar no tamanho e no tipo de veleiro. Sei que tem veleiros para cruzeiro, regata e os oceânicos. Tem veleiro que tem performance, mas é apertado. Tem veleiro espaçoso mas precisa de mais vento. Mas tem aqueles que são bons de espaço, bem construídos e ainda velejam que é uma beleza (também quero um desses). Além de você, seu bolso também será impactado com essa escolha.
Quantas pessoas vão usar?
Tenha certeza que no começo todos estarão bem motivados pra passear. Mas as vezes a família perde o interesse pela novidade, por medo, enjoo e outros tantos motivos. Mas as vezes não. Então, como antes de comprar seu veleiro você e sua família já devem ter passeado em charter ou alugando veleiros, já dá pra saber mais ou menos quem serão os tripulantes mais cativos.
Seguinte, do pouco que vi quando estava procurando o nosso veleiro, o tamanho que mais se oferece por ai estão entre 27 e 32 pés. Acima de 30 pés, cinco bem aventurados navegantes já podem até fazer uns pernoites.
O pier flutuante da nossa Marina (preço bom) e algumas das poitas.
Falamos e falamos mas não dissemos nada. Então é o seguinte: em Paraty o preço mensal de Marinas pode ser de R$ 15 a 30 reais/pé no pier. Em Ubatuba a média é maior. Barcos: o preço de veleiros de 30 pés, que são um excelente começo, pode ir de R$ 90 a R$ 120 mil. Ai o estado de conservação e equipamentos a bordo farão o preço oscilar em até 40% num veleiro de mesmo modelo e ano.
Tem um outro custo opcional. O Marinheiro. Vc pode ter todo o tipo de serviços feito por este profissional. Mas, o caso mais clássico são aqueles que limpam e ventilam seu barco durante a semana. Por volta de R$ 500 por mês.
Minha opinião é que tem muito "Hobby" (caracas!) por ai que é muito mais caro e pode (com certeza) não te dar a mesma perspectiva de futuro e de vida.
Não ficamos independentes neste fim de semana. Mas pelo menos ninguém bebeu de uma das nossas fontes, pois a mega acumulou. Honestamente, do valor agora acumulado, bastava 10% pra cairmos no Mar pelo resto de nossas vidas. (Sem contar naquelas dias em que dá vontade de jogar tudo pro ar sem pensar em ... "grana" nenhuma mesmo!).
Pregamos que a vida no Mar favorece quem quer viver com o necessário, com contato com o mundo, culturas, relações humanas, a natureza e de forma relativamente barata. Dinheiro é a moeda de troca sim. Nossa outra fonte para independência é pelo Mapa do Tesouro.
Essa semana a empresa que trabalho publicou um artigo na revista interna sobre Dinheiro e Felicidade. Vejam:
"A chave da felicidade.
23/05/2011
Ter mais dinheiro vai me fazer mais feliz? Esta é uma pergunta que todos devemos fazer antes de nos lançar de cabeça na busca por sucesso material. Inúmeras pesquisas apontam que a relação entre dinheiro e felicidade não é tão estreita quanto parece.
Um exemplo é uma pesquisa recente, feita pela Boston College entre americanos com patrimônio de 25 milhões de dólares ou mais. Os milionários entrevistados também sofrem de solidão, ansiedade e depressão. Ocorre que a fortuna não elimina a preocupação com dinheiro. Os ricos se preocupam com o risco de perder o que têm, em como seus recursos são investidos, nos efeitos que isso terá. E quanto mais zeros no saldo bancário, pior é o dilema deles.
Outro estudo mostra que a correlação entre dinheiro e satisfação com a vida é muito significativa quando uma população aumenta sua renda até um poder de compra de 15 mil dólares americanos (aproximadamente R$ 1.900 mensais). Já em grupos com renda anual entre 15 mil e 50 mil dólares (cerca de R$ 6 mil por mês), a diferença no grau de satisfação existe, mas não é tão forte. Depois de atingido um poder de compra equivalente a 50 mil dólares por ano, o aumento da renda tem pouca ou nenhuma correlação com o aumento da felicidade. Com exceção de breves picos proporcionados por consumos momentâneos, que não chegam a elevar o nível de felicidade como um todo.
Isso acontece porque entre os quatro fatores que compõem a felicidade – ter prazer, pertencer, engajar-se e transcender – o dinheiro só tem forte atuação nos dois primeiros. No terceiro, a atuação do dinheiro é muito pequena. No último, é nula.
E você, já parou para pensar no que lhe faz feliz? Qual papel do dinheiro no seu nível de satisfação com a vida?"
As vezes eu penso que estamos "viajando" de tanto que pensamos na nossa "futura" vida a bordo (ela virá!)
O problema é que quando comparamos a vida que temos no cotidiano versos a vida que levaremos em cruzeiro, não dá nem para esperar.
Qualquer dia desse vou passar uns endereços de blog e sites de velejadores que estão pelo mundo. Será que é pedir demais querer viver longe de coisas que nos são impostas ao invés de buscar aquilo que realmente nos interessa. É fato que, de uma forma ou outra, todos queremos uma Vida simples, feliz, sem violência, sem consumo imposto ou habitual..
De repente me deu vontade de fumar o último cigarrinho, agora a noite, depois de umas taças de vinho. O que vi da calçada (pois é, claro que fumo na rua ao invés de em casa): Uma Lua enorme por entre as nuvens. Parece até que o céu se abriu para que eu a visse. Sacanagem dos Deuses!!!!! Muitos de nós nem se deu conta ou nem vai ver lua nenhuma, pois temos de trabalhar em casa, dormir pra acordar cedo ou ficamos trancados em casa por falta de segurança ou grana pra gastar na rua.
No lugar de vermos o luar e conversar com amigos, muitos de nós esta diante da tv acompanhando o noticiário imperdível para saber que o Arnold "Exterminador do Futuro" tem um filho fora do casamento. O Palossi ficou podre de rico em 4 anos. Não querem construir uma estação do metrô em higienópolis para não virar muvuca pros moradores do bairro; Uma menina de 18 anos matou um cara num motel, um caminhão capotou na Marginal; fora as propagandas do Extra, Hyundai e muitos outros carrões!!!!
Só queria avisar que HOJE É LUA CHEIA!
Acabamos de falar que o Refrega não é nenhum veleiro top em termos de conforto. Tem uns itens que ainda vamos melhorar e outros não dá pra mudar. Mas ele é bem bom. Em seus 34 pés (*), tem um ótimo pé direito, uma bela cozinha/sala e uma plataforma de popa que chamamos de varanda! Afinal é A Casinha. É seguro e estável por ser de aço.
Existe uma expressão no meio náutico, adaptada de outro tema, que é a seguinte: A vida começa aos 40! Isso quer dizer que, a vida a bordo de um veleiro se torna confortável a partir dos 40 pés.
Não tem como discutir, mas não é uma condição. Como o custo sobe de acordo com os pés disponíveis, além de outros itens acessórios, muitos colegas moram no veleiro que conseguem comprar e manter. Afinal estilo de vida é de cada um. O que mais se vê por ai, com gente que mora ou não, são barcos de 30 a 36 pés.
Vejam fotos do espaço do Refrega no blog, acessando também pela foto a direita desta página. Da web, fizemos a coletânea abaixo de alguns interiores de veleiros pra se ter uma noção do que se pode usufruir, dependendo apenas do que julgue necessário ou do que tenha de $$$ disponível, claro!
(*) um pé tem 30,48cm